quinta-feira, 12 de março de 2026

QUEM É ERIKA HILTON?


 Erika Hilton é uma política brasileira, filiada ao PSOL, reconhecida como uma das primeiras mulheres trans a liderar uma bancada no Congresso Nacional E ESTÁ ENVOLVIDA NA POLÊMICA de poder ser presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, fato que traz uma série de notas de repúdio por todo o Brasil, e abrem a caixa preta da vida da deputada.

Sua trajetória transformou a vivência de marginalidade, após ser expulsa de casa aos 15 anos e recorrer à prostituição, em uma carreira de destaque no ativismo e na política institucional. 

Trajetória de Erika Hilton: Antes e Depois

Antes (Infância e Juventude): Enfrentou transfobia, sendo expulsa de casa na adolescência. Para sobreviver, atuou na prostituição antes de retomar os estudos.

Transição (Ativismo): Entrou na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), engajou-se no movimento estudantil e ganhou destaque nacional em 2015 ao lutar pelo uso do nome social em passagens de ônibus.

Depois (Política Institucional): Iniciou como codeputada na Alesp (2018), tornou-se a vereadora mais votada do Brasil em 2020 e elegeu-se Deputada Federal em 2022 com mais de 250 mil votos. 

Atualmente, é premiada como uma das melhores deputadas federais do Brasil (2024-2025) e atua na defesa dos direitos LGBTQIA+ e direitos humanos, sendo eleita presidente da Comissão de Direito das Mulheres em 2026, o que tem levantado muita polêmica, justamente por não ser uma mulher de nascença e efetivamente não sentir todos os problemas que uma pessoa nascida mulher pode sentir.

Recentemente entrou na justiça contra o apresentador Ratinho (SBT) 

Erika Hilton processa Ratinho por transfobia: "Sempre serei mulher", e ele, "um rato"

Ação criminal aconteceu após comentários do apresentador sobre a parlamentar presidir Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados


A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) afirmou nas redes sociais nesta quinta-feira (12), que está processando o apresentador Ratinho, do SBT, por transfobia. 

A ação criminal aconteceu após ele afirmar, na quarta-feira (11), no seu programa no SBT, que "ela não é mulher, ela é trans". A declaração foi feita por Ratinho durante comentário sobre a eleição da deputada para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, em Brasília.

"Sim, estou processando o apresentador Ratinho", escreveu no X e Instagram. "Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é e sempre será um rato", acrescentou. 

Danos coletivos

A deputada também pediu uma indenização de R$ 10 milhões ao apresentador na esfera civil por danos morais coletivos. O valor será direcionado a projetos de proteção a mulheres vítimas de violência de gênero.

"O que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim. Ratinho interrompeu seu programa pra dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres", continua a manifestação da deputada no Instagram.

O que diz o SBT

Em nota enviada à imprensa, o SBT informou que  "repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito" e que as declarações do apresentador "não representam a opinião da emissora". Veja na íntegra: 

"O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores."

O que diz o jornal Barão de Inohan

Apoiamos integralmente a fala do apresentador Ratinho e aproveitamos para trazer a fala e o alerta da advogada Olivia Colombiano (acesse https://obaraoj.blogspot.com/2026/03/a-comissao-de-defesa-dos-direitos-da.html) além da nota de repúdio da ativista Luana Gouvea (https://obaraoj.blogspot.com/2026/03/nota-de-repudio-de-luana-gouvea.html)

Mas, afinal, quem é Erika Hilton? 

Nascida em Franco da Rocha, ela cresceu na periferia de Francisco Morato, na região metropolitana de SP. No começo da adolescência, quando a sua expressão de gênero começava a ficar mais forte, foi mandada para viver na casa de tios evangélicos em outra cidade.

Forçada a frequentar a Igreja, sua família acreditava que o "mal" ligado à sua identidade de gênero seria, de alguma forma, curado por Deus. Entre constantes violências em casa e uma série de repressões que sofreu por sua expressão de gênero, Erika foi expulsa durante a adolescência, e encontrou referências nas travestis das esquinas de Francisco Morato. A ativista, então, entrou para o mercado da prostituição.

Depois de anos na rua, Erika retomou o relacionamento com a mãe, voltou para casa e ingressou num cursinho pré-vestibular. Na militância estudantil, encontrou sua vocação para a política. Convidada para integrar a Bancada Ativista (PSOL), saiu vitoriosa em 2018 como primeira candidatura coletiva eleita no estado de SP.

Em entrevista à GQ Brasil em novembro de 2020, a então futura vereadora falou sobre seu sucesso nas urnas ("Esse sucesso se dá porque estamos diante de uma conjuntura política catastrófica"), a importância de uma mulher preta, trans e periférica na vereança ("Nós, corpos negros, trans, periféricos, podemos existir e atuar para além dos espaços que nos foram sentenciados, como as esquinas, o cárcere, os manicômicos") e as suas expectativas para o ano que vem.

Confira abaixo a entrevista completa com Erika Hilton:

GQ Brasil: A que você atribui seu sucesso nas urnas?

Erika Hilton: Meu sucesso nas urnas se deu a uma junção dos movimentos dessa pirâmide social, junção das pessoas que se viram intimidadas, reprimidas, desempregadas, sem moradia, sem representatividade na política institucional. E que perceberam a partir da dor e da ausência de políticas públicas, a urgência de nos organizarmos para colocarmos cada vez mais pessoas negras, pobres e comprometidas com as pautas dos Direitos Humanos dentro da Câmara Municipal de São Paulo. Esse sucesso se dá porque estamos diante de uma conjuntura política catastrófica, e isso só pode ser revertido a partir da ocupação e corpos diferentes, de corpos que foram boicotados de ocupar esse lugar. Essa vitória é uma virada de chave, uma conscientização dos movimentos sociais, dos grupos minoritários em direitos e não em quantidade, de que precisamos ocupar lugares de poder, pautar a política.

GQ Brasil: Qual a importância da presença de uma mulher trans e preta na Câmara de SP?

Erika Hilton: Importantíssimo porque estamos rompendo com uma mazela histórica da ausência desses corpos. Até agora, haviam sido eleitas apenas duas mulheres negras, o que revela o racismo institucional, estrutural e estruturante da nossa sociedade. Ocupar aquele lugar é trazer à tona e visibilizar o nosso corpo, nossa luta, nossa história, pautar a política que precisamos e que queremos. Criar uma fissura na laje das estruturar de poder, mostrar que é possível mudar esse cenário conduzido apenas por homens brancos cisgêneros. Nós, corpos negros, trans, periféricos, podemos existir e atuar para além dos espaços que nos foram sentenciados, como as esquinas, o cárcere, os manicômicos, lugares de desumanização. Nossa presença ali significa retomar os nossos lugares enquanto cidadãs, retomar a nossa dignidade humanda que é roubada por esse Estado cotidianamente. Fazer uma política para a nossa população, com a nossa população, construir um marco histórico, deixar registrado na história que nós, apesar do histórico de violência, genocídio, repressão, conseguimos chegar como a mais votada da maior cidade da América Latina.

GQ Brasil: Quais as suas expectativas para o ano que vem?

Erika Hilton: Minha expectativa é que consigamos organizar e reunir nossas bases, nossa militância, que façamos uma ocupação democrática, popular, preta, jovem, periférica e LGBTQIA+ na Câmara Municipal de São Paulo. Que a gente possa chamar audiências públicas, que a gente possa abrir as portas da Câmara para que as pessoas se sintam pertencentes àquele espaço. 

MAIS POLÊMICAS E CONTRADIÇÕES

Mas, lutas e conquistas a parte (e não podemos nem devemos negar), algumas contradições estão em curso. A mulher negra (que defende que VIDAS NEGRAS IMPORTAM - agora nem tanto!!!), 'alouroisse', seus cabelos ficaram lisos, sua pela clareou e ficou com cara de Beyonce. Muitos vem questionando e para o PODER 360 ela respondeu:

Erika Hilton diz que pele fica mais clara por causa do flash

 Deputada faz vídeo e rebate críticas sobre ter os cabelos lisos: “Estou me empoderando e usando o meu direito de ser linda e bela”.

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), 32 anos, rebateu em um vídeo as críticas que costuma receber por usar cabelos lisos e por, em imagens, sua pele parecer às vezes mais clara do que de fato é.

O vídeo havia sido compartilhado em 15 de março de 2025 por Carlos Cirqueira em seu perfil no Instagram. Ele trabalha com próteses capilares para mulheres que sofreram algum tipo de perda de cabelo. A gravação voltou a circular nas redes sociais nos últimos dias.

Eles [críticos] tiveram a pachorra de dizer até que eu estava clareando a pele. Amor, que absurdo é esse? Sempre tive o mesmo tom de pele, o problema é que hoje eu tenho a possibilidade de fazer foto com flash. Foto com flash traz luz, e a luz traz um certo tipo de clareamento. A única coisa que acontece é que naquela época a luz era ruim”, diz a deputada no vídeo. 

Erika Hilton também fala nesse vídeo de março de 2025 sobre o fato de usar lace, palavra derivada do inglês e usada para descrever uma técnica na qual os fios de cabelo são aplicados um a um sobre uma tela bem fina, de renda (lace colada ao couro cabeludo para permitir um efeito mais natural do que o de uma peruca. 

Uso lace exatamente porque eu sei das possibilidades de ser como eu quiser. Sempre serei uma mulher negra, de lace, de cabelo cacheado, de cabelo loiro, de cabelo crespo”.

AÇÃO CONTRA NARRADOR DA BAND 

Erika Hilton está processando o narrador Sérgio Maurício, da Band. Em fevereiro de 2025, ele havia postado uma mensagem em seu perfil no X na qual chamava a deputada de “fake news humana”, numa menção indireta à forma como Hilton se apresenta. Em sua página oficial da Câmara dos Deputados, a congressista faz esta descrição sobre si própria:

Erika Hilton é a primeira deputada federal negra e trans eleita na história do Brasil. Em SP, teve 256.903 votos. Vereadora mais votada do país em 2020, por 2 anos foi a presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo”. 

O post de Erika em março sobre o seu cabelo e cor da pela havia sido compartilhado pela deputada justamente em resposta a críticas que ela recebe sobre sua aparência. Há nas redes sociais mensagens ofensivas falando que a congressista “diz ter orgulho de ser negra, mas clareia a pele” e “diz ter orgulho das origens, mas alisa o cabelo

ENTREVISTA DE 2020 E MUITAS CONTRADIÇÕES

Críticos de Erika Hilton usam uma entrevista mais antiga dela, de dezembro de 2020, ao apresentador Marcelo Tas, para um programa na TV Cultura, emissora pública ligada ao governo do Estado de São Paulo. À época, ela havia acabado de ser eleita vereadora paulistana pelo Psol. Na conversa, a política do Psol relata que foi a partir da sua geração (ela tem 32 anos) que sua família passou a se “descobrir negra”. 

Em determinado momento nessa entrevista de 5 anos atrás (quando usava cabelos pretos e crespos), a hoje deputada federal dizia que “não adianta colocar cabelo liso” para “disfarçar a negritude”. 


Leia a íntegra da declaração de Erika Hilton em 2020 sobre ser negra e o estilo de cabelo que usava: “Minha família se descobre negra na minha geração. A partir de mim. Sou eu que volto, aponto o dedo na cara e digo vocês são negros, vocês moram aqui e têm essa vida porque são negros. Não adianta colocar cabelo liso na cabeça, não adianta tentar disfarçar a negritude de vocês. Aí começa, as minhas irmãs, a minha avó, as pessoas, a compreender.

Assista ao momento em que ela fala do seu cabelo em 2020:


Agora, leia a íntegra da declaração de Erika Hilton em março de 2025 e veja como mudou da água para o vinho: 

Eu uso lace exatamente porque eu sei das possibilidades de ser como eu quiser. Eu sempre serei uma mulher negra, de lace, de cabelo cacheado, de cabelo loiro, de cabelo crespo


Eles tiveram a pachorra de dizer até que eu estava clareando a pele. Amor, que absurdo é esse? Eu sempre tive o mesmo tom de pele, o problema é que hoje eu tenho a possibilidade de fazer foto com flash. Foto com flash traz luz, e a luz traz um certo tipo de clareamento. A única coisa que acontece é que naquela época a luz era ruim, escura e eu estava numa condição extremamente mal tratada


Hoje, graças ao meu trabalho, à minha luta, eu posso fazer fotos com luzes e flash, o que dá uma sensação de que a pele está um pouco mais clara, e posso usar lace para me empoderar, para me libertar. 


Passei por um processo de destruição natural que me obrigou a recorrer, o que acontece com muitas mulheres negras, seja alopecia por tração, queda por tratamento químico, essa é uma realidade que está colocada para nós.  


No vídeo, eu falo sobre alisar cabelo e fazer coisas para negar a negritude, e não é isso que eu estou falando. Eu estou me empoderando e usando o meu direito de ser linda e bela com todos os cabelos que eu quiser porque esse é o dom da mulher negra e essa gente horrorosa, burra e feia vai ter que aceitar."


VISTO AMERICANO NEGADO: É MASCULINO, NÃO FEMININO

Em outro assunto correlato, Erika acionou a ONU em 16 de abril de 2025 depois de o governo dos Estados Unidos informar a congressista que seu visto era masculino, e não feminino. Declarou ser vítima de “transfobia de Estado”. Deputados aliados criticaram a medida. 


A embaixada do país em Brasília disse que a administração Trump reconhece apenas 2 sexos: masculino e feminino. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou o caso como “abominável”. No entanto, não está claro se o governo federal ou o Itamaraty irá se posicionar de maneira oficial sobre o tema.


Por mais capacitada que possa ser, Erika Hilton NUNCA deverá ser presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, por não ter nascido MULHER!






terça-feira, 10 de março de 2026

CULTURARTE 305 - março de 2026

 CULTURARTE 305 - março de 2026



- Uma edição especial comemorando TODOS OS DIAS DAS MULHERES
- 8 de março, Dia Internacional da Mulher: mas é justo comemorar a mulher em único dia?
- Pricilla Darmont: a artesã, filha, mãe, esposa, guerreira!
- Mulheres: Maria Sem Vergonha de Ser Feliz!
- A belíssima história de Mariana Araújo, Gata Verão Plus Size 2026

Tudo isso na edição especial de março do Informativo CULTURARTE, já circulando nas versões on line e revista eletrônica